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Receita para a Paz de Espírito

Como manter a sanidade mental em meio as turbulências da vida.

Parece uma tarefa impossível, visto que não estamos habituados, nem nunca fomos treinados para isso na escola, lidar com as ansiedades e preocupações que surgem em meio a uma fase turbulenta da vida. Mais ainda quando esta fase é uma pela qual todos na sociedade passam ao mesmo tempo.

A ansiedade e a preocupação coletivas realimentam e amplificam o desequilíbrio individual. Campo fértil para fake news, teorias conspiratórias e pânico infundado.

Mas, a boa notícia, é que existe receita para lidar com isso. Há como manter a sanidade mental nas turbulências da vida. Há como manter o foco no que pode e precisa ser feito, em vez de perder-se no turbilhão de pensamentos desencontrados sobre o que deveria ter acontecido, o que poderia ter sido feito antes e os fantasmas dos piores temores para o futuro.

É uma receita simples, que exige boa vontade e determinação para seguir. Nestes tempos, de quarentena para combate ao COVID-19, ajuda muito.

  1. O primeiro passo é ter consciência do problema. Aperceber-se de que a ansiedade e a preocupação descontroladas não contribuem em nada para enfrentar o momento presente. Pelo contrário, atrapalham e muito, as medidas necessárias para que a fase de turbulência seja superada com sucesso.
  2. O segundo passo é ter consciência de que as causas mais profundas da ansiedade e da preocupação residem em nós mesmos. Nossa visão de mundo e nossa postura mental perante a vida são os principais determinantes do que acontece conosco em resposta aos eventos externos. 
  3. O terceiro passo é ter consciência de que ao mudarmos nossa visão de mundo e nossa postura mental, nossa percepção dos acontecimentos externos se transforma e conseguimos lidar melhor com eles. Na pior das hipóteses, em que estamos diante de cenários  adversos que escapam totalmente do nosso controle, mudando nossa forma de ver estes cenários, compreendendo melhor a realidade da vida, sofreremos menos.
  4. O quarto passo é nos engajarmos nas medidas práticas que modificarão nossa visão do mundo e nossa postura mental. Falaremos delas a seguir. 

Isto parece familiar para você? Se não parece, deveria. Os espíritas conhecem esta receita com o nome de reforma intima. Os budistas notarão que parafraseei as Quatro Nobres Verdades. Os conhecedores do Hinduísmo tem algo muito similar nas disciplinas do Yoga, principalmente na Vidya Yoga. Estudiosos da filosofia antiga lembrarão de Pitágoras, do “conhece-te a ti mesmo” inscrito no pátio do Templo de Delfos e das lições do estoicismo romano, principalmente Sêneca. As denominações cristãs de todos os matizes, não deixarão de notar que estes passos estão em sintonia com os ensinamentos de Jesus.

Daí que as medidas práticas que implementam o quarto passo da receita estão bem delineadas também nas fontes citadas e podem ser resumidas em três conjuntos que se complementam e interagem entre si. São elas:

  1. Buscar um modo de vida equilibrado, sem excessos ou apegos doentios, com respeito e amor ao próximo, de modo que se possa ter a consciência tranquila e espaço na mente para que se possa trabalhar na mudança da visão de mundo e na postura mental com que lidamos com ele. Todas as doutrinas religiosas e filosofias espiritualistas sérias tem diretrizes muito boas para a implementação deste modo de vida equilibrado. O Espiritismo, a que nos ligamos em particular, aponta a moral contida nos ensinamentos de Jesus, principalmente a regra áurea, que nos ensina a não fazermos ao próximo aquilo que não gostaríamos que fizessem a nós outros e nos aponta a necessidade de amá-lo como a nós mesmos.
  2. Afastar de nós a ignorância sobre nós mesmos e sobre o que nos cerca. De novo, todas as religiões nos falam da transitoriedade da vida terrena e da realidade maior em que ela está inserida. Tudo muda por aqui, nossa estada na instância terrena é apenas uma fase curta do desenvolvimento de nossa consciência e os problemas terrenos são lições a serem aprendidas e desafios para que possamos crescer interiormente. Ninguém realmente morre, a consciência apenas muda de vestimenta e não há nada que possa interromper esse fluxo infinito do ser. É a vida sempre presente. O Espiritismo, através de sua imensa literatura e quase dois séculos de estudo da comunicação mediúnica permite uma visão muito precisa desse processo. Da mesma forma o Budismo, com seus 2.500 anos de pesquisa da mente humana através da meditação, traz sólidos conhecimentos sobre nós e o que nos cerca.
  3. Com a tranquilidade desenvolvida no primeiro conjunto de medidas e a base correta sobre nós mesmos e sobre o que nos cerca, podemos nos dedicar a cultivar novos hábitos de pensamento. Visto que há ocorrências desagradáveis que estão fora do nosso controle, não devemos nos preocupar com o que faríamos para “controlá-las”, ocupemo-nos com a melhor forma de lidar com elas. Para as coisas que estão sobre nosso controle, não adianta ficarmos perdendo tempo em elucubrações sobre porquê temos que vivê-las, se são justas ou injustas, usemos o controle que temos para solucioná-las de forma boa para nós e para todos os que nos cercam. Tranquilizemos nossa mente, deixemos de procurar por preocupações que não tem utilidade nenhuma, voltemos nosso pensamento para as ideias construtivas e para termos uma percepção melhor do que está ocorrendo no exato momento. Aprendamos a estar conosco mesmo, em tranquila vivência do momento presente, na ação correta em resposta ao que precisamos fazer agora. O passado já não existe mais, criou as condições em que vivemos hoje, o futuro ainda não existe, depende do que faremos no momento presente.

Construindo hábitos mais sustentáveis de vida, encarando a vida como uma oportunidade preciosa de aprendizado e crescimento, serenando a mente e evitando o completo descontrole de pensamentos em que normalmente vivemos, você atingirá a paz necessária para lidar com qualquer turbulência que a vida lhe apresente.

Não pense que a receita é fácil de seguir, eu disse apenas que sua apresentação é simples! Mas, vale a pena aplicá-la. Mesmo não tendo atingido a maestria em sua aplicação, aliás, mesmo só tendo dado alguns passos em sua aplicação, você já começará a sentir os benefícios.

E mais importante que tudo, a receita não é minha, reforço que apenas destaquei e resumi uma receita que você provavelmente já ouviu por muitas outras fontes, independentemente de qual seja sua filiação religiosa ou filosófica!

A paz esteja convosco!

Carlos A. I. Bernardo

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