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Falando com os Mortos

Imagem da capa do livro Falando com os Mortos

A Historiadora Barbara Weisberg apresenta no seu livro uma detalhada e bem pesquisada biografia das Irmãs Fox. Estas irmãs americanas foram o catalisador do movimento espiritualista que ficou conhecido como o “Espiritualismo Moderno”  e que marcou profundamente a cultura americana na segunda metade do século XIX.

Foi também a partir deste movimento, que chegou poucos anos depois a França, que surgiu o Espiritismo. Os fenômenos mediúnicos que se espalharam pela Europa, chamaram a atenção de pensadores eminentes, entre eles, o Prof. Hippolyte Léon Denizard Rivail . Os resultados dos estudos realizados e publicados pelo Prof. Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec, são a base da Doutrina Espírita.

Leah, Margaret e Kate Fox foram mulheres excepcionais para a sua época e sua vida foi profundamente marcada pela presença dos fenômenos mediúnicos, da grande atenção que despertaram e do choque de ideias que provocaram. Contemporâneas da invenção do telégrafo, da época de ouro do jornalismo impresso e da Guerra Civil Americana, sua popularidade atingiu uma escala que se compara as das estrelas de cinema do século seguinte.

De acordo com a cultura de seu país e época, as apresentações eram remuneradas, o que lhes trouxe períodos de muita prosperidade financeira e as tornou vulneráveis a todo o tipo de suspeitas e acusações.

A partir da divulgação dos fenômenos, surgiram uma infinidade de novos médiuns. Ao lado de médiuns sérios e honestos, também apareceram os que atraídos pela popularidade e pela remuneração, nem sempre resistiam a tentação de incrementar suas apresentações ou suprir a ausência dos espíritos para subir seus ganhos.

Fenômenos extravagantes e extraordinários atraiam mais a atenção do que comunicações simples e assim abriu-se ampla margem para as fraudes, que eram espetaculosamente caçadas e divulgadas pelos inimigos do movimento espiritualista.

Apesar das irmãs Fox nunca terem sido pegas em fraudes em suas sessões, por mais testes e exames a que tenham sido submetidas e de que nenhuma explicação dada pelos incrédulos podia cobrir a gama imensa de situações em que demonstraram a comunicação com os espíritos,  sua fama e  a do espiritualismo americano foram bastante abaladas e declinaram ao final do século.

O livro acompanha o surgimento do Espiritualismo, suas glórias e reveses, as tragédias familiares e os dilemas que se apresentaram para as irmãs. É uma leitura indispensável para quem quer entender as raízes históricas dos movimentos espiritualistas e espíritas contemporâneos.

A tempo, a historiadora se coloca de um ponto de vista neutro, é uma obra de história, não de espiritualismo. Assim os fatos são apresentados de acordo com os registros, não se tomando posição de quem tinha razão, os que acreditavam nos fenômenos ou os que se opunham a eles.

Ao final do livro a autora explica que, pessoalmente, admira as médiuns, independentemente da realidade ou não dos fenômenos. Na sua opinião as manifestações poderiam ter sido criadas através de truques, mas, deixa claro que elas nunca foram pegas em fraudes e que é difícil de explicar tudo o que aconteceu somente por este prisma.

A tradução é de Luciana Persice e o prefácio da edição brasileira é do cineasta e jonalista Wagner de Assis, diretor e roteirista do filme Nosso Lar.

WEISBERG, Barbara. Falando com o Mortos: As Irmãs Americanas e o Surgimento do Espiritismo.  Tradução de Luciana Persice. Rio de Janeiro: Agir, 2011.

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