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Talita Kumi!

Pintura mostrando Jesus Curando a Filha de Jairo

Tomando a mão da criança, disse-lhe: Menina, levanta-te[1].

Séculos de pregação evangélica, muitos dos quais transcorridos em paralelo com lutas pelo poder temporal, cobriram de camadas de interpretação a Boa Nova do Reino dos Céus e distorceram a imagem de Jesus, dando-lhe um distanciamento dos homens que lhe é totalmente estranho.

Como em protesto antecipado pelos títulos pomposos, ele preferia usar, quando se referia a si mesmo, uma expressão aramaica traduzida como o “filho do homem” que, se o ligava a velhas profecias, também remetia a sua condição de ser humano a serviço dos demais.

Da mesma forma, ao curar jamais utilizava grandiloquentes fórmulas esotéricas ou protestava poderes assombrosos, simplesmente dizia que a própria fé havia curado o paciente ou que seus pecados haviam sido perdoados. A própria palavra que traduzimos por pecado, tinha no grego popular (kóine) em que foram escritos os Evangelhos, o significado de erro. Era o erro fatal que levava os personagens das tragédias gregas para a sequência de sofrimentos que os atingia ao longo da trama principal, muitas vezes causado pela soberba ou orgulho com que se conduziam.

O filho do Homem, o Jesus de Nazaré que percorria os caminhos entre a Galileia e Jerusalém, diferencia-se dos mestres de seu tempo por ensinar com a autoridade daquele que pratica o que fala e sabe o que diz. Cura os doentes, consola os aflitos, levanta os caídos e adverte os iludidos ante a glória passageira do mundo. Sua maior lição é o amor fraterno – caritas na versão latina, de onde vem nossa palavra caridade – que leva ao desenvolvimento do Reino de Deus que está dentro de nós.

Certa vez lançou o convite para que todos os que estivessem sofrendo viessem a ele, pois seu jugo – a observância de seu exemplo e ensinamentos – é leve. Também observou que tudo o que fazia, podia ser feito por nós, desde que tivéssemos a certeza inabalável a que damos o nome de fé.

Este é o Jesus a que os Espíritos apontaram como modelo para a humanidade e que nunca se preocupou em ser adorado, mas seguido. Seguido nos exemplos, no cumprimento dos seus ensinamentos. Venceu o mundo e a morte, trazendo uma prova tão viva de que o túmulo não é o fim, que seus discípulos e seguidores imediatos, a despeito da perseguição que lhes moveram os poderes e religiões constituídos de sua época, mudaram a história da civilização.

Quantas vezes nos grupos espíritas somos instados a pensar em Jesus e quantas destas vezes apenas direcionamos a nossa imaginação a um retrato ou a alguma obra famosa que o retrata, sem realmente nos ligarmos com o que ele significa!

Em verdade, com nosso pensamento deveríamos nos colocar próximos e à disposição desse ser humano extraordinário, que com extrema gentileza e simplicidade, em um dos momentos mais marcantes de sua jornada terrestre, diante da criança tida como morta pela medicina de seu tempo e compadecido pelo sofrimento de seus pais, adentrou-se em seu lar e simplesmente disse: “−Talita kumi!” (“−Menina, levanta-te!”).

Muita Paz,

Carlos A. I. Bernardo

OBSERVAÇÃO

1 – Artigo escrito originalmente para a edição 140 do jornal Revelação, de junho de 2016, publicado pelo Centro Espírita Nova Revelação. A passagem citada encontra-se em Marcos 5:22 – 43

IMAGEM

Jesus Curando a Filha de Jairo: Esta imagem aparece em muitos sites da Internet, mas não encontrei a indicação do autor original. Por gentileza, se você tiver esta informação, me envie para que eu possa citá-la aqui.

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